O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu nesta segunda-feira (7), durante o desfile cívico-militar de 7 de Setembro, em Brasília, os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O encontro ocorreu na Esplanada dos Ministérios em meio à crise que atinge o Supremo e às tensões envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Banco Master. A presença conjunta foi interpretada como um gesto de unidade institucional entre os Poderes em um momento de forte desgaste político.
Lula chegou à tribuna de autoridades por volta das 9h10, acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva. Ao lado do presidente estavam também o vice-presidente Geraldo Alckmin e outras autoridades do governo. O desfile teve como tema principal “Soberania – A força que une o Brasil” e também abordou a proteção de meninas e mulheres e a preparação do país para a Copa do Mundo Feminina de 2027.
A participação dos chefes dos Poderes ocorreu em um cenário considerado atípico para o Supremo. Edson Fachin foi o único ministro da Corte presente na tribuna presidencial. Alexandre de Moraes e André Mendonça, que estão no centro do atual conflito interno do tribunal, não participaram da cerimônia. Outros ministros do STF também não compareceram.
A crise se intensificou nos últimos dias após Mendonça retirar o sigilo de materiais relacionados às investigações sobre o Banco Master. A medida trouxe para o centro do debate mensagens e informações envolvendo Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco. Em reação, Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça, acusando o colega de possíveis irregularidades. Fachin posteriormente retirou o pedido do inquérito das fake news e determinou que as questões fossem tratadas em outro processo.
O presidente do STF passou, desde então, a ocupar uma posição central na tentativa de administrar o conflito. Fachin também defendeu o encerramento do inquérito das fake news, aberto em 2019, e a criação de um código de ética para os ministros da Corte. A crise, entretanto, extrapolou os limites do Supremo e passou a envolver também setores do Congresso e do governo federal.
A presença de Alcolumbre no desfile também ganhou peso político. O presidente do Senado vinha sendo pressionado pela oposição a se posicionar sobre os pedidos de impeachment contra ministros do STF. Nos últimos dias, ele afirmou que considera anormal a quantidade de pedidos apresentados contra integrantes da Corte, mas evitou comentar diretamente as acusações envolvendo Alexandre de Moraes.
Hugo Motta, por sua vez, participou da cerimônia ao lado de Lula, Alcolumbre e Fachin, reforçando a presença da cúpula do Legislativo no evento. A formação da primeira fileira da tribuna acabou se transformando em uma das imagens políticas mais simbólicas do 7 de Setembro deste ano.
Segundo relatos da cerimônia, Lula procurou manter um ambiente de normalidade e descontração durante o desfile. O presidente conversou diversas vezes com Alcolumbre e também interagiu com outras autoridades. A estratégia ocorre justamente quando o governo tenta evitar que a crise do STF produza uma ruptura mais ampla entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
O desfile também teve manifestações do público. Parte dos presentes gritou palavras de ordem pelo fim da escala de trabalho 6×1, tema que está em discussão no Congresso Nacional. A proposta prevê mudanças na jornada de trabalho e se tornou uma das pautas de maior mobilização popular entre trabalhadores e movimentos sociais.
Paralelamente à cerimônia oficial, manifestações organizadas por grupos de oposição ocorreram em Brasília e em outras cidades. Na capital federal, participantes fizeram críticas ao governo Lula e ao ministro Alexandre de Moraes e manifestaram apoio a André Mendonça. O cenário evidencia a crescente polarização política às vésperas das eleições de 2026.
Durante o 7 de Setembro, Lula também utilizou o discurso oficial para defender a soberania nacional. O presidente destacou temas como o controle e o aproveitamento de recursos estratégicos brasileiros, desenvolvimento tecnológico, geração de empregos e fortalecimento de políticas públicas. Também criticou aqueles que, segundo ele, adotam um discurso de patriotismo enquanto defendem interesses estrangeiros.
O encontro entre Lula, Fachin, Alcolumbre e Motta, portanto, ocorreu em um momento de elevada tensão institucional. Embora a imagem dos representantes dos três Poderes juntos tenha buscado transmitir uma mensagem de diálogo e estabilidade, a ausência dos demais ministros do STF e o conflito envolvendo Moraes e Mendonça evidenciam que a crise continua sendo um dos principais assuntos da política brasileira.
Com o calendário eleitoral de 2026 avançando, o episódio também ganha dimensão política. O governo Lula tenta preservar uma imagem de estabilidade institucional, enquanto a oposição utiliza os conflitos envolvendo o Supremo para ampliar as críticas ao governo e aos ministros da Corte. O 7 de Setembro acabou, assim, reunindo em Brasília não apenas uma celebração da Independência, mas também alguns dos principais personagens da disputa política e institucional brasileira.




