Salário mínimo pode subir para R$ 1.741 em 2027, prevê Orçamento do governo

Proposta enviada ao Congresso nesta segunda-feira (31) prevê aumento de R$ 120 no piso nacional
Foto: RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

O salário mínimo poderá passar dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027, segundo a proposta de Orçamento apresentada pelo governo federal ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31). A previsão representa um aumento de R$ 120, equivalente a 7,4%, e segue a política de valorização do piso nacional, que considera a inflação e o crescimento da economia para definir o reajuste.

O valor de R$ 1.741 é uma projeção e ainda não representa o salário mínimo definitivo do próximo ano. A cifra poderá ser atualizada durante a tramitação do Orçamento e após a definição dos indicadores econômicos utilizados no cálculo. A previsão anterior apresentada pelo governo na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias era de R$ 1.717.

A elevação da estimativa ocorreu principalmente por causa da revisão da previsão de inflação. Para o cálculo, o governo considera a inflação acumulada até novembro de 2026 e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. No caso de 2027, entra no cálculo o desempenho da economia brasileira em 2025, quando o PIB cresceu 2,3%.

A regra de valorização garante que o salário mínimo tenha aumento acima da inflação quando há crescimento econômico, mas atualmente existe também uma limitação para o ganho real estabelecida pelo novo arcabouço fiscal. Para 2027, o crescimento real do piso está sujeito ao limite de 2,5%.

O novo valor terá impacto direto na renda de milhões de brasileiros que recebem o salário mínimo, tanto trabalhadores quanto aposentados e beneficiários de programas sociais. Isso ocorre porque diversos pagamentos do governo federal são vinculados ao piso nacional.

Entre eles estão aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e outros benefícios previdenciários e assistenciais. O salário mínimo também serve como referência para o seguro-desemprego.

O reajuste, portanto, não representa apenas um aumento na remuneração dos trabalhadores que recebem o piso. Ele também aumenta as despesas obrigatórias da União. Segundo estimativas utilizadas pelo governo, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera aproximadamente R$ 413,2 milhões em gastos adicionais. Com a elevação projetada de R$ 120, o impacto sobre as despesas de 2027 pode chegar a cerca de R$ 9,9 bilhões.

Ao mesmo tempo, o aumento do salário mínimo tende a ampliar o poder de compra de trabalhadores e beneficiários que recebem valores vinculados ao piso. Como grande parte dessa renda é destinada ao consumo, o reajuste também pode ter reflexos sobre o comércio e outros setores da economia.

O Orçamento de 2027 apresentado pelo governo prevê ainda crescimento de 2,46% do PIB e inflação medida pelo IPCA de 3,60% no próximo ano. A proposta estima um superávit primário de R$ 18,6 bilhões, equivalente a 0,13% do PIB, enquanto a meta fiscal estabelecida para o ano é de 0,5% do PIB.

A proposta orçamentária será analisada agora pelo Congresso Nacional. Deputados e senadores poderão discutir e modificar diferentes pontos do projeto antes da votação. O valor definitivo do salário mínimo será conhecido posteriormente, conforme a atualização dos indicadores econômicos utilizados na fórmula de reajuste.

Se a projeção atual for confirmada, o novo piso nacional entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027, passando a R$ 1.741.

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